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2025 foi um ano produtivo para a música internacional. Ao mesmo tempo que artistas consolidados voltaram com discos que soam menos preocupados em agradar algoritmos e mais interessados em construir mundos próprios, novos nomes mostram que as fronteiras de género têm ficado cada vez menos perceptíveis e dão o tom para o futuro da música.

Neste ano, mais do que nunca o álbum voltou a ser tratado como obra, com narrativa, estética e risco sendo abraçadas mesmo quando isso parecia improvável, com géneros como o Pop apostando nisso tanto quanto cenas alternativas que vão do Rap ao Metal.

Hoje, o Hardcore namora melodias; o Pop brinca com estruturas quebradas e elementos mais ousados; a música eletrónica virou força motriz para novos estilos e assim por diante. A música, cada vez mais, se torna um circuito global que coloca tradição e futuro como parte de um mesmo diálogo.

Paradoxalmente, vemos discos com produções grandiosas soando extremamente íntimos, em especial liricamente. Personagens vêm dando lugar para pessoas reais, com desabafos e vulnerabilidades liderando temáticas em diversos géneros e mostrando que a busca por conexão é um fenómeno mundial.

50. Mammoth – The End
Para fãs de: Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Greta Van Fleet
Cheio de grandes riffs, The End mostra que o projeto Mammoth veio pra ficar. O projeto de Wolfgang Van Halen não tenta reinventar a roda, e destaca-se justamente por trazer simplicidade bem executada. Existe uma honestidade no Rock directo, sem tantas camadas, com destaque para a energia e pegada do som. Perfeito para dirigir ou treinar enquanto ouve!

49. Stereolab – Instant Holograms on Metal Film
Para fãs de: Yo La Tengo, Pavement, Belle and Sebastian
Depois de 15 anos sem um disco de inéditos, os Stereolab voltaram fazendo o que fazem melhor: um álbum que brinca com groove e minimalismo, destacando o espírito retrofuturista do grupo e uma elegância pouco exibicionista. Com belas texturas, Instant Holograms on Metal Film é um disco que seduz devagar, com confiança.

48. The Armed – THE FUTURE IS HERE AND EVERYTHING MUST BE DESTROYED
Para fãs de: Converge, Death Grips, The Dillinger Escape Plan
O título já avisa: este é um disco que não veio para ser gentil. THE FUTURE IS HERE AND EVERYTHING MUST BE DESTROYED soa como um ataque sonoro planeado, e os The Armed retornam com seu caos cheio de propósito. A dicotomia entre barulho e belas melodias é fundamental para entender que talvez, realmente, o melhor jeito de consertar o futuro é quebrando tudo.

47. BABYMETAL – METAL FORTH
Para fãs de: Poppy, Bring Me the Horizon, Spiritbox
Em METAL FORTH, os BABYMETAL apostam de vez na sua própria receita de sucesso ao transformar os choques de referências em músicas que somam riffs pesados, refrões grudentos e aquela energia única do Kawaii Metal desenvolvido por elas. Com uma grande coleção de feats, o álbum segue por diversos caminhos e mostra a pluralidade do alcance da banda japonesa.

46. Lucy Dacus – Forever Is a Feeling
Para fãs de: Julien Baker, Phoebe Bridgers, Big Thief
Lucy Dacus sempre teve como grande força o trabalho da intimidade nas composições. Forever Is a Feeling não é diferente, parecendo uma colecção de conversas difíceis, cheias de detalhes pequenos que doem porque são verdadeiros. O álbum move-se devagar, com arranjos que valorizam a palavra e uma voz que transita entre sofrimento e delicadeza com mestria.

45. Militarie Gun – God Save the Gun
Uma das principais qualidades do Punk e do Hardcore é o potencial de fazer todo mundo cantar junto. God Save the Gun mostra que os Militarie Gun entendem isso muito bem, reunindo agressividade e melodia de uma maneira que consegue deixar o som acessível, porém longe de domesticado. Com faixas rápidas e riffs simples e eficazes, é um disco que vai directo ao ponto e mostra que apostar no clássico, mesmo em meio à onda de experimentações na cena, ainda é uma boa ideia.

44. Garbage – Let All That We Imagine Be the Light
Para fãs de: Hole, PJ Harvey, St. Vincent
Let All That We Imagine Be the Light é um impulso claro dos Garbage para procurar esperança em tempos sombrios. A própria Shirley Manson descreveu o álbum como um esforço consciente de focar em positividade e beleza sem negar o peso do mundo, e aqui a banda faz isso com seu DNA clássico acompanhado de um senso de resiliência, algo que também ficou muito claro nas performances ao vivo de uma banda que soa ao mesmo tempo cansada da indústria e tão apaixonada pela música quanto nunca.

43. Djo – The Crux
Para fãs de: Tame Impala, MGMT, Phoenix
A sonoridade do Indie/Pop Alternativo de uma ou duas décadas atrás deixou saudade em muita gente, e The Crux é uma excelente medida para aliviar isso. O novo disco de Djo, projeto do também actor Joe Keery (Stranger Things) trabalha sonoridades que quem cresceu ouvindo bandas como MGMT e Phoenix certamente vai reconhecer, com uma sinceridade de quem também viveu isso e usa as influências como ferramenta para seguir se desenvolvendo sonoramente.

42. 5 Seconds of Summer – EVERYONE’S A STAR! (Fully Evolved)
Para fãs de: N.E.R.D., Gorillaz, The Prodigy
Se você estranhou o trecho Para fãs acima, não se preocupe – é isso mesmo. EVERYONE’S A STAR! é um disco extremamente corajoso dos 5 Seconds of Summer, que deixa o Pop Rock que os consagrou de lado para assumir um lado mais eletrónico fortemente influenciado pelos nomes citados acima. É claro que a banda faz isso de uma maneira mais acessível, mas encarar essa escolha como algo negativo já deveria ter sido deixado de lado há tempos.

41. Halestorm – Everest
Para fãs de: The Pretty Reckless, Evanescence, Shinedown
A receita dos Halestorm não é segredo para ninguém. A banda encontrou a fórmula para uma sonoridade única a partir do Hard Rock que conquistou tantos fãs ao longo dos anos, mas Everest leva essa energia para um novo lugar. O álbum aposta menos em riffs (ainda que eles estejam presentes) e mais do que nunca na potência vocal inquestionável de Lzzy Hale, com hinos como “Like a Woman Can” e “Darkness Always Wins” mostrando raiva, desejo, força e fragilidade, tudo com uma teatralidade bem dosada.


40. Spiritbox – Tsunami Sea
Para fãs de: Jinjer, Architects, Loathe
Depois de surgir como um dos grandes nomes do Metal nos últimos anos, os Spiritbox acertam de novo com Tsunami Sea. Sem soar repetitiva, a banda encontra direções ousadas em músicas como “Soft Spine” e “Perfect Soul”, sempre focando em criar uma atmosfera mesmo quando traz os riffs mais potentes. Courtney LaPlante segue como o destaque do grupo, aprendendo cada vez mais a controlar a direção da música com sua voz.

39. Biffy Clyro – Futique
Para fãs de: Muse, Foo Fighters, Queens of the Stone Age
Fazer o chamado “Rock de Arena” soar único é algo bem difícil, e uma receita que o Biffy Clyro domina há anos. A banda escocesa não foge de grandes refrões, mas acerta mais uma vez ao trazer elementos únicos – seja na dinâmica, na mudança de compassos ou na capacidade de unir melancolia ao sentimento quase Pop, Futique é (mais) uma aula do grupo sobre como fazer um álbum que pode ser cantado a plenos pulmões ou escutado em momentos íntimos.

38. Amaarae – Black Star
Para fãs de: Tems, Kali Uchis, Rema
Com uma sonoridade mais madura do que nunca, BLACK STAR vê Amaarae unir mundos distintos entre a experimentação e a leveza e ousadia dos hits. “Fineshyt” é um exemplo do primeiro caso, com uma pegada mais intimista; “FREE THE YOUTH”, por outro lado, tem um foco mais dançante e é perfeita para ser ouvida em uma boate. Os clipes também são um destaque à parte!

37. Perfume Genius – Glory
Para fãs de: ANOHNI, Sufjan Stevens, Weyes Blood
Glory é um disco carregado de tensão e risco, reforçando a identidade de Perfume Genius como um especialista em vulnerabilidade. Ao mesmo tempo intimista e ambicioso, o trabalho alterna momentos quase sussurrados com explosões discretas; o trabalho de dinâmica é uma aula, fugindo de refrões óbvios para focar num tom confessional, sofisticado e corajoso.

36. Nourished by Time – The Passionate Ones
Para fãs de: Yves Tumor, Blood Orange, The Weeknd
Imagine o início da carreira de The Weeknd, na sua fase mais sombria, explorando sonoridades mais experimentais ainda e com uma pegada mais optimista. O resultado é The Passionate Ones, álbum que soma influências indo desde o R&B mais tradicional até o Yacht Rock; aqui, Marcus Brown – ou Nourished by Time – aposta numa pegada nostálgica, como se fosse uma fotografia antiga que te transporta para um momento que talvez você nem sequer tenha vivido, mas consegue imaginar de maneira vívida.

35. Beirut – A Study of Losses
Para fãs de: Sufjan Stevens, Andrew Bird, Fleet Foxes
Muito associado a uma estética passada, os Beirut parecem ter encontrado uma nova fórmula após seus sucessos meteóricos do início da carreira. A Study of Losses parece um conjunto de anotações musicais, com os arranjos tipicamente delicados da banda chegando mais texturizados do que nunca e recheados de detalhes que intrigam o ouvinte. Aqui, a melancolia é encarada como algo bonito e a solidão como algo necessário e, à sua própria maneira, charmoso.

34. A Day to Remember – Big Ole Album Vol. 1
Para fãs de: Four Year Strong, The Used, Bring Me the Horizon
Fazer o que se faz de melhor é uma receita subestimada para o sucesso. Big Ole Album Vol. 1 é exatamente isso: aqui, o A Day to Remember não foge do estilo que os consagrou, repetindo receitas e fórmulas que talvez, para alguns, já tenham chegado à exaustão. Por outro lado, serve também como uma viagem nostálgica e, acima de tudo, divertida para quem se dispõe a se desprender de uma constante busca por algo novo e revolucionário e entende que, às vezes, arroz com feijão é tudo que precisamos.

33. Mdou Moctar – Tears of Injustice
Para fãs de: Jack White, King Gizzard & The Lizard Wizard, Khruangbin
Tears of Injustice nada mais é do que uma nova versão, acústica, de Funeral for Justice, disco lançado pelo sempre ótimo Mdou Moctar em 2024. O “relançamento”, se é que assim podemos chamá-lo, oferece um novo olhar para as canções deixando de lado os riffs agressivos e chamando atenção para as letras. Não à toa, lyric videos com as traduções das composições são uma peça fundamental do trabalho, que aborda questões complexas com as quais o público brasileiro certamente pode se identificar.

32. Playboi Carti – MUSIC
Para fãs de: Lil Uzi Vert, Travis Scott, Future
Um dos lançamentos mais aguardados do Rap internacional nos últimos tempos, MUSIC eleva o nível de Playboi Carti. Antes colocado por muitos uma prateleira abaixo dos grandes nomes, o rapper reforça seu status vanguardista com experimentações sonoras ousadas, que não soam saturadas mesmo com 30 músicas na tracklist.

31. Laufey – A Matter of Time
Para fãs de: Norah Jones, Weyes Blood, Fiona Apple
O talento inquestionável de Laufey brilha mais do que nunca em A Matter of Time. Sua habilidade para moldar o Jazz em algo que não apenas soa Pop mas conversa com uma geração pouco acostumada ao género é fantástica. Ela faz isso usando uma linguagem sensível, com faixas como “Lover Girl” e “Silver Lining” chamando a atenção por criar uma elegância sem esforço, ao mesmo tempo clássica e contemporânea.


30. Ghost – Skeletá
Para fãs de: Alice Cooper, Blue Öyster Cult, Mercyful Fate
O Rock de arena está muito vivo em 2025 e Skeletá é a maior prova disso. O sucesso do novo álbum dos Ghost aposta mais do que nunca na herança setentista, trazendo também aspectos do espetáculo ao vivo para a estética do álbum. O disco entende a sedução do exagero, criando canções memoráveis através de seus refrães enormes e deixando absolutamente qualquer um com vontade de ir a um show da banda depois de ouvi-lo.

29. Rochelle Jordan – Through the Wall
Para fãs de: Kelela, Jessie Ware, Janet Jackson
Elegante é talvez a melhor palavra para definir Through the Wall. Pulsante, o disco de Rochelle Jordan traz o melhor do R&B para as pistas, apostando em um brilho nocturno que tem como grande diferencial a sinceridade das composições, que impede tudo de virar só “uma vibe”. É graças a isso que o álbum também funciona no contexto mais íntimo, oferecendo uma opção madura de Pop/R&B de primeira qualidade.

28. Scowl – Are We All Angels
Para fãs de: GEL, Turnstile, Hole
Are We All Angels coloca os Scowl num ponto interessante. O álbum é agressivo o suficiente para satisfazer quem quer pancada, mas ao mesmo tempo é melódico o suficiente para capturar quem procura refrão. A banda parece entender que crescer não é “amaciar”, e sim ampliar vocabulário – por isso, as músicas flertam com uma pegada um pouco mais Alt Rock e até Pop, mas sem abrir mão de riffs afiados e cheios de energia que vão agradar os fãs mais tradicionais de Punk e Hardcore.

27. Bartees Strange – Horror
Para fãs de: Alabama Shakes, Bon Iver, TV On the Radio
Desde que surgiram, Bartees Strange são uma das revelações mais curiosas da música internacional. É extremamente difícil encontrar um encaixe para suas composições – afinal, elas vão para tantas direções diferentes, do Rock ao Soul, do Rap à música eletrônica, do Folk ao Pop. Horror condensa tudo isso num disco intenso, cheio de dinâmica (como na excelente “Sober”) para acompanhar a oscilação do próprio artista, que não esconde sua constante construção em letras confessionais que ajudam a compor a obra.

26. Smerz – Big city life
Para fãs de: Haim, Erika de Casier, Oklou
Big city life não é um disco para qualquer um. O álbum é uma ode à pós-modernidade, brincando com as fronteiras do Pop, e o título ilustra muito bem o que se pode esperar: uma estética minimalista, arrojada e inquieta, bem como uma cidade grande à noite. A soma de elementos muitas vezes bastante crus cria uma inquietude que também provoca o ouvinte, fugindo de refrões óbvios e apostando mais em ruídos pontuais, sintetizadores cheios de detalhes e texturas criadas através da repetitividade.

25. La Dispute – No One Was Driving the Car
Para fãs de: Touché Amoré, Brand New, Tigers Jaw
Não é exagero dizer que, quase duas décadas depois da sua estreia, os La Dispute encontraram o seu auge em No One Was Driving the Car. Feliz ou infelizmente, a banda tem uma estética extremamente reconhecível – aqui, no entanto, eles finalmente pareceram encontrar uma nova carga emocional que reconecta até mesmo com ouvintes do passado que haviam deixado o grupo de lado. O estilo tradicional está presente, com os vocais falados em cima de melodias Emo, mas a sonoridade está mais detalhada e lapidada do que nunca. Obra-prima!

24. Architects – The Sky, The Earth & All Between
Para fãs de: Parkway Drive, While She Sleeps, Bring Me the Horizon
Um dos grandes nomes do Metal nos últimos anos, os britânicos Architects voltaram com um disco que tem tudo para ser um dos melhores da carreira. The Sky, The Earth & All Between faz um trabalho espetacular para equilibrar a essência pesada da banda com novas experimentações sonoras, incluindo algumas das mais impressionantes performances vocais de Sam Carter.

23. Wet Leg – moisturizer
Para fãs de: Wolf Alice, The Breeders, Courtney Barnett
Depois de surgir como um fenómeno da cena, os Wet Leg voltam mais maduros e, curiosamente, mais irreverentes ainda. moisturizer é afiado de todas as maneiras possíveis, mantendo o humor que fez a banda conquistar uma legião de fãs, mas agora apresentando ainda mais substância nas composições. Os riffs são mais confiantes, as mensagens das letras são mais directas e, assim, nasce um disco que consegue falar de assuntos desconfortáveis de maneira sarcástica, mas não cínica.

22. ROSALÍA – LUX
Para fãs de: Arca, Björk, FKA twigs
LUX é, sem dúvidas, o disco mais ousado do ano. Épico e multilíngue, o novo trabalho de ROSALÍA mostra um enorme desprendimento de qualquer ligação com seu sucesso passado, apostando em uma sonoridade grandiosa que parece transformar cada faixa em uma obra arquitetônica. Tradição e futurismo encontram-se num trabalho extremamente competente, que coloca a cantora num patamar único no que diz respeito a técnica e, ainda que não tenha aquele “fator replay” tão forte, se destaca pela sinceridade e coragem em experimentar.

21. Lady Gaga – Mayhem
Para fãs de: Madonna, Kylie Minogue, Rina Sawayama
Depois de alguns anos seguindo caminhos tão diferentes, Lady Gaga voltou ao que faz de melhor. Mayhem tem em “Abracadabra” um hino tão potente quanto qualquer um do auge da carreira da cantora, mas também abraça a experimentação influenciada por nomes como Nine Inch Nails e David Bowie, com várias faixas servindo como homenagem à influência do Rock na sua carreira e celebrando a forma como ela consegue transformar tudo isso num Pop irresistível. É um disco exagerado, no melhor sentido possível, que funciona para quem procura hits e para quem procura algo novo – basta ouvir com atenção.


20. Geese – Getting Killed
Para fãs de: Talking Heads, black midi, Velvet Underground
O sucesso dos Geese é uma prova de que a maneira do Rock se conectar com a nova geração é através da visceralidade. A banda não foge do risco, soando constantemente anárquica e teatral, encaixando ideias até onde não há mais espaço; Getting Killed faz o ouvinte constantemente sentir como se estivesse em um comboio descarrilando, e essa adrenalina atrai e conquista quem está aberto a uma sonoridade mais experimental. Tem tudo para se tornar um disco símbolo de uma geração, repetindo a receita de nomes como Talking Heads e Velvet Underground para uma nova legião de fãs.

19. Blood Orange – Essex Honey
Para fãs de: Frank Ocean, James Blake, Toro y Moi
Um dos artistas mais plurais de seu tempo, Dev Hynes está de volta com Essex Honey, um disco delicioso que passa por R&B, Funk, Pop experimental e música ambiente com a facilidade de quem caminha em linha recta. O trabalho de Blood Orange é, mais uma vez, cinematográfico: por mais estranho que parece, o álbum soa visual, com uma sonoridade que te transporta para o clipe mesmo que você não o esteja assistindo.

18. The Callous Daoboys – I Don’t Want to See You in Heaven
Para fãs de: The Dillinger Escape Plan, Between The Buried and Me, Every Time I Die
O Mathcore não é exatamente um género novo, mas I Don’t Want to See You in Heaven é uma das melhores portas de entrada possíveis para ele. O novo trabalho dos The Callous Daoboys parece brincar com o próprio colapso, trazendo agressividade, groove e belas melodias em meio a bom humor; é um álbum performático, que foge de qualquer aspecto de linearidade e se mostra mais um caminho acertado na música pesada, até quando a banda não se leva a sério e parece ironizar a própria existência.

17. PinkPantheress – Fancy That
Para fãs de: Charli xcx, Doja Cat, Shygirl
Um dos grandes hits nas redes sociais do ano, “Illegal” é a base para tudo que Fancy That oferece. O álbum de PinkPantheress transforma a nostalgia Y2K, uma estética mais em alta do que nunca, numa linguagem contemporânea, amarrada em referências da cultura clubber do Reino Unido. Para isso, ela usa elementos fortes do Bedroom Pop, criando uma atmosfera de intimidade em meio à sensação da pista de dança – e, para quem estiver disposto a ir além do sucesso viral, Fancy That certamente tem muito a entregar.

16. Dijon –Baby
Para fãs de: Bon Iver, Frank Ocean, D’Angelo
Baby é um disco que parece simultaneamente à frente de seu tempo e nostálgico. É perceptível a influência do Pop radiofónico oitentista, além de referências claras a nomes como Prince e D’Angelo para destacar a inspiração no Soul, R&B e Rock; no entanto, a busca por uma estética confessional, que remete a artistas contemporâneos como Bon Iver e Frank Ocean, transforma o álbum de Dijon quase em uma colagem, como se tivesse sido montado para destacar cada nuance no momento certo.

15. Sleep Token – Even in Arcadia
Para fãs de: Bring Me the Horizon, Bad Omens, Deftones
Talvez o álbum mais polémico do ano, Even in Arcadia soa como uma provocação aos metaleiros. Os Sleep Token nunca se preocuparam com rótulos e aqui, mais do que nunca, abraçam sem vergonha alguma os elementos de Metal extremo, Pop, R&B e até Reggaeton em uma fusão única de estilos que já passou a ser inevitável. O carácter ritualístico da banda irrita alguns e conquista outros mas, musicalmente falando, o álbum é um passo gigante para fazer o Rock e o Metal se popularizarem novamente – e, ironicamente, são justamente os que reclamam da morte desses géneros que parecem se incomodar tanto com isso.

14. Creepy Nuts – LEGION
Para fãs de: Beastie Boys, Kero Kero Bonito, BROCKHAMPTON
Praticamente todo o fã de anime conhece o Creepy Nuts graças a “Otonoke”, emblemática abertura da primeira temporada de Dan Da Dan. O hit, no entanto, é apenas um dos bons momentos de LEGION, álbum que mistura Rap, humor, referências Pop, belas melodias instrumentais e vocais e críticas sociais em músicas cheias de camadas, que muitas vezes parecem simples e divertidas à primeira ouvida e, com o tempo, vão se revelando bastante complexas.

13. Thornhill – BODIES
Para fãs de: Deftones, Loathe, Northlane
No meio de uma geração de bandas claramente influenciadas pelo Nu Metal e Metalcore, os Thornhill destacam-se por criar um som mais sensorial do que a vasta maioria de seus contemporâneos. Em BODIES, a banda australiana refina sua fórmula ao melhor formato até hoje, com guitarras que criam atmosfera, vocais que transitam entre fragilidade e explosão e uma produção que trata cada faixa como um espaço físico.
O disco funciona muito bem quando encosta na fronteira entre agressão e intimidade, trazendo riffs que esmagam e melodias que seduzem – talvez, neste caso, um resultado direto da grande e perceptível influência de Deftones. O cuidado com a dinâmica também chama atenção, e a estética é outro ponto importante para se conectar à nova geração.

12. DRAIN – …Is Your Friend
Para fãs de: Suicidal Tendencies, Power Trip, Corrosion of Conformity
Destaque na cena Hardcore há algum tempo, os DRAIN acertam mais do que nunca no novo disco …Is Your Friend. O álbum abraça uma estética (quase) perdida do Crossover Thrash, género que mistura influências de Punk e Thrash Metal e ganhou fama com nomes como Suicidal Tendencies e Corrosion of Conformity.
Aqui, como em outros destaques do gênero, chama atenção a agressividade tão veloz quanto groovada, e uma faixa como “Stealing Happiness From Tomorrow” é perfeita para abrir aquela roda punk insana em um “inferninho” lotado. Por outro lado, “Who’s Having Fun?” tem um aspecto mais divertido, remetendo a influências do Skate Punk.

11. CMAT – Euro-Country
Para fãs de: Kacey Musgraves, Jenny Lewis, Orville Peck
A combinação improvável de Indie Pop e música Country rendeu à cantora irlandesa Ciara Mary-Alice Thompson um dos melhores discos de 2025 no mundo todo.
Aqui, CMAT chega ao seu terceiro álbum e apresenta uma sonoridade que ninguém mais tem, e para isso, mistura letras extremamente pessoais com uma sonoridade que deixa o ouvinte tentando entender novos caminhos o tempo todo. Original, improvável e poderoso, Euro-Country não apenas conquistou novos fãs para CMAT como também serviu de base para outras artistas contemporâneas como Hayley Williams, que citou o álbum como um dos seus favoritos em 2025.


10. Viagra Boys – Viagr Aboys
Para fãs de: IDLES, Sleaford Mods, The Hives
A estética torta sempre foi um dos pontos altos dos Viagra Boys, que navegam entre o som de garagem e o Post-Punk muito bem produzido com maestria. O novo disco mantém essa tradição, com um foco ainda maior em grooves grudentos e letras tão afiadas quanto absurdas.
Os vocais parecem funcionar muitas vezes como um noticiário grotesco do presente, falando sobre temas como consumo, masculinidade tóxica, paranoia digital e a tristeza ligada à vida online com uma sinceridade confortável e exagerada. Assim, a banda equilibra sujeira e acessibilidade, fazendo o ouvinte dançar enquanto ouve suas ideias tortas e mensagens fortes. O caos funciona, e o Viagra Boys prova que a música viva, barulhenta, estranha e sincera nunca será substituída.

9. Bad Bunny – DeBÍ TiRAR MáS FOToS
Para fãs de: ROSALÍA, C. Tangana, Rauw Alejandro
É impossível falar de música em 2025 sem falar de Bad Bunny. O astro de Porto Rico colocou o seu país de uma vez por todas no radar mundial, fazendo questão de destacar sua cultura com protagonismo em DeBÍ TiRAR MáS FOToS.
Uma ode à cultura latina, o álbum referencia ritmos típicos como Salsa, Plena e Jíbaro em meio ao Reggaeton que o popularizou, conectando gerações não apenas através dos ritmos mas com suas mensagens fortes. Aqui, o ritmo de festa é inevitável, como deveria ser; no entanto, Bad Bunny constantemente provoca, trazendo reflexões por vezes até melancólicas, como a frase “eu devia ter tirado mais fotos” – suficiente para fazer qualquer um refletir sobre suas melhores e piores memórias e a importância de registrar o que vivemos.

8. Turnstile – NEVER ENOUGH
Para fãs de: Refused, Title Fight, Rage Against the Machine
Dar sequência a uma obra-prima é sempre uma tarefa que beira o impossível, e os Turnstile fizeram o melhor que podia depois do sucesso meteórico de GLOW ON. Sem fugir muito da estética do álbum premiado de 2021, NEVER ENOUGH acerta ao expandir ainda mais a sonoridade do grupo sem abrir mão dos elementos mais primitivos do Hardcore.
Ao mesmo tempo em que “BIRDS” vai fazer qualquer um querer bater cabeça e se atirar do palco, “SEEIN’ STARS” vê as participações de Dev Hynes (Blood Orange) e Hayley Williams (Paramore) para criar uma atmosfera totalmente diferente, com elementos de Shoegaze guiando a música até a entrada de uma guitarra digna de Thrash Metal.
É com essa mistura de timbres e texturas que os Turnstile conseguiram destacar-se como algo diferente, e a banda acerta em cheio ao não tentar reinventar a roda mais uma vez, mas também se permitir experimentar com uma identidade cada vez mais múltipla.

7. Lily Allen – West End Girl
Para fãs de: Marina, Kate Nash, Robyn
Não há como fugir: o grande apelo de West End Girl é sua aposta em uma sinceridade vulnerável e afiada, já que aqui Lily Allen fala de maneira direta e sem rodeios sobre o conturbado divórcio com o ator David Harbour, narrando traições, polêmicas e confusões da maneira mais cru e vívida possível.
No entanto, é claro que nada disso funcionaria tão bem se a parte musical não fosse tão fascinante. Usando várias facetas do Pop como instrumento para suas crónicas, Lily aposta em melodias claras, arranjos que deixam a letra respirar – um segredo que muitas vezes parece perdido na indústria – e até algumas ousadias mais experimentais para destacar a teatralidade da obra, como na aclamada “Madeline”.

6. Oklou – choke enough
Para fãs de: Caroline Polachek, FKA twigs, A. G. Cook
choke enough é um disco inescapável e hipnotizante. Aqui, Oklou aposta em elementos do Hyperpop com uma nova e talvez até revolucionária abordagem – a estética exagerada do género é substituída por uma pegada intimista e delicada, ao mesmo tempo polida e frágil.
“family and friends”, por exemplo, soa como uma versão moderna de Enya se a cantora irlandesa tivesse passado um tempo ouvindo Caroline Polachek e FKA twigs (esta última, aliás, presente como feat em choke enough). Por outro lado, “harvest sky” resgata um aspecto meio Summer Eletrohits, meio “madrugada acordada” – pensamentos circulando, memória falhando, vontade de sentir algo que faça sentido – e é exatamente essa dualidade tão cheia de contraste que destaca o álbum da francesa.
Em vez de explodir, choke enough é um disco que constantemente comprime, e assim cria-se um universo etéreo que trabalha emoção sem dramatização óbvia, com músicas que se conectam e convidam o ouvinte para um mergulho em uma das produções mais cuidadosas dos últimos anos.

5. Clipse – Let God Sort Em Out
Para fãs de: Freddie Gibbs, Kendrick Lamar, Run the Jewels
De volta com um disco de inéditos após 26 anos, o Clipse é dono do Melhor Disco de Rap de 2025 sem dúvida alguma. Let God Sort Em Out tem feats de respeito, como Kendrick Lamar em “Chains & Whips”, mas definitivamente não se apoia exclusivamente nisso para criar um trabalho coeso.
A impressão é constantemente de estar ouvindo dois veteranos que não precisam correr atrás das tendências. Pusha T e (No) Malice não estão necessariamente atrás de coisas grandiosas, investindo num clima de rua e tensão moral que evoca uma nostalgia que só os verdadeiros mestres do género são capazes de ter.
Mesmo quando o álbum flerta com refrões mais marcantes, ele continua sendo áspero, mostrando entender que o presente é a continuação de uma história que começou lá atrás. E é exatamente isso que torna Let God Sort Em Out tão especial.

4. Ichiko Aoba – Luminescent Creatures
Para fãs de: Joanna Newsom, Ryuichi Sakamoto, Grouper
Ichiko Aoba é uma artista que, há tempos, domina a arte de fazer o silêncio falar. Luminescent Creatures aprofunda essa magia, chegando como um ecossistema delicado em que cada detalhe cumpre seu papel de maneira irretocável.
Voz, guitarra, piano e outros elementos que aparecem de maneira mais subtíl somam-se para criar um álbum que funciona como pequenas lanternas acesas num quarto escuro, iluminando cada canto e obrigando o ouvinte a olhar para lugares que, no dia a dia, podem passar despercebidos.
Luminescent Creatures aposta forte no minimalismo, e a influência de Ryuichi Sakamoto é maior do que nunca – quase como uma homenagem a um dos maiores nomes da história da música japonesa. Faixas como “FLAG” e “COLORATURA” são algumas das mais bonitas que você vai ouvir neste ano – e além dele, certamente.

3. Deftones – private music
Para fãs de: Mastodon, The Smashing Pumpkins, Hum
Os Deftones sempre foram mestres em fazer o peso soar sensual, e private music é mais uma prova de que a banda entende o “clima” como instrumento principal.
Aqui, os Deftones reverenciam seus próprios discos, mas não se limitam a eles. Enquanto o antecessor Ohms parecia mostrar uma banda que começava a trabalhar a ideia de uma nova geração consumindo sua música, private music é um atestado de que eles entenderam que o motivo para esse sucesso recente não é o passado, e sim a essência da banda. Dessa forma, surgem clássicos instantâneos como “milk of the madonna” e “cut hands”, faixas que entram imediatamente no rol de melhores músicas da carreira da banda.
Um dos aspectos mais intrigantes, no entanto, é como o álbum vai crescendo a cada audição – ele pode parecer simples inicialmente, mas o ouvinte que aceitar se aprofundar vai ver um trabalho cheio de nuances e detalhes, e este sim é o verdadeiro segredo do sucesso dessa banda com tantas gerações diferentes.
private music é um atestado de que os Deftones estão melhores que nunca na sua própria linguagem, trazendo romantismo sombrio, beleza áspera e uma confiança de quem sabe que o silêncio pode ser tão pesado quanto um riff pungente.

2. Deafheaven – Lonely People with Power
Para fãs de: Alcest, Wolves in the Throne Room, Godspeed You! Black Emperor
Os Deafheaven voltarm a soar grandiosos sem soar disperso. Depois de explorar algumas direções diferentes nos seus últimos trabalhos, o grupo volta a acertar em cheio com Lonely People with Power, um disco tão épico quanto delicado, tão pesado quanto fino em seus arranjos.
O disco é uma colisão de catarse extrema com beleza ensolarada, enriquecida (e muito) por excelentes clipes que transformam completamente a experiência do álbum. As guitarras abrem paisagens, a bateria acelera a adrenalina e cria um senso de urgência, e os vocais voltam a encontrar a receita para não soar apenas agressivos, mas sim como um resultado de verdades rasgadas às suas formas mais nuas.
A dinâmica de Lonely People with Power é a mais refinada da carreira do Deafheaven, e uma verdadeira aula para qualquer músico que busque explorar isso nos seus trabalhos. Em “Winona”, por exemplo, o baixo aparece na hora certa para criar uma textura complexa, que revela mais uma vez a influência do Shoegaze no trabalho da banda; assim, eles estouram e suspendem com maestria, mais do que nunca.
Em vez de apostar só em muralhas de som, os Deafheaven investem de forma certeira em detalhes que deixam a emoção mais nítida. Pequenas variações de timbre, viradas que parecem responder ao que foi cantado e um encaixe perfeito entre fúria, melancolia e esperança: Lonely People with Power é um disco no qual a beleza não alivia a dor, mas a destaca.

1. Hayley Williams – Ego Death at a Bachelorette Party
Para fãs de: Mitski, Phoebe Bridgers, Paramore
No seu terceiro disco, Hayley Williams consolidou-se como uma artista solo e mostrou que tem talento de sobra para seguir no formato o quanto quiser.
Se os dois primeiros álbuns tinham toda a cara do projeto paralelo, Ego Death at a Bachelorette Party não apenas mostra uma artista madura como também conta com elementos essenciais para todo disco que faz história, apresentando melodias pegajosas, refrões grudentos e letras corajosas.
Desde atacar “cantores racistas do country” até expor comportamentos questionáveis de ex-companheiros, a vocalista dos Paramore finca o pé num território disputadíssimo e mostra que tem todas as credenciais para seguir esse formato se assim o quiser.
Musicalmente, o álbum bebe nas fontes do rock alternativo dos Anos 80 e 90, misturando elementos de influências contemporâneas que vão de Phoebe Bridgers a CMAT, e traços muito particulares de Hayley.