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10. Viagra Boys – Viagr Aboys
Para fãs de: IDLES, Sleaford Mods, The Hives
A estética torta sempre foi um dos pontos altos dos Viagra Boys, que navegam entre o som de garagem e o Post-Punk muito bem produzido com maestria. O novo disco mantém essa tradição, com um foco ainda maior em grooves grudentos e letras tão afiadas quanto absurdas.
Os vocais parecem funcionar muitas vezes como um noticiário grotesco do presente, falando sobre temas como consumo, masculinidade tóxica, paranoia digital e a tristeza ligada à vida online com uma sinceridade confortável e exagerada. Assim, a banda equilibra sujeira e acessibilidade, fazendo o ouvinte dançar enquanto ouve suas ideias tortas e mensagens fortes. O caos funciona, e o Viagra Boys prova que a música viva, barulhenta, estranha e sincera nunca será substituída.

9. Bad Bunny – DeBÍ TiRAR MáS FOToS
Para fãs de: ROSALÍA, C. Tangana, Rauw Alejandro
É impossível falar de música em 2025 sem falar de Bad Bunny. O astro de Porto Rico colocou o seu país de uma vez por todas no radar mundial, fazendo questão de destacar sua cultura com protagonismo em DeBÍ TiRAR MáS FOToS.
Uma ode à cultura latina, o álbum referencia ritmos típicos como Salsa, Plena e Jíbaro em meio ao Reggaeton que o popularizou, conectando gerações não apenas através dos ritmos mas com suas mensagens fortes. Aqui, o ritmo de festa é inevitável, como deveria ser; no entanto, Bad Bunny constantemente provoca, trazendo reflexões por vezes até melancólicas, como a frase “eu devia ter tirado mais fotos” – suficiente para fazer qualquer um refletir sobre suas melhores e piores memórias e a importância de registrar o que vivemos.

8. Turnstile – NEVER ENOUGH
Para fãs de: Refused, Title Fight, Rage Against the Machine
Dar sequência a uma obra-prima é sempre uma tarefa que beira o impossível, e os Turnstile fizeram o melhor que podia depois do sucesso meteórico de GLOW ON. Sem fugir muito da estética do álbum premiado de 2021, NEVER ENOUGH acerta ao expandir ainda mais a sonoridade do grupo sem abrir mão dos elementos mais primitivos do Hardcore.
Ao mesmo tempo em que “BIRDS” vai fazer qualquer um querer bater cabeça e se atirar do palco, “SEEIN’ STARS” vê as participações de Dev Hynes (Blood Orange) e Hayley Williams (Paramore) para criar uma atmosfera totalmente diferente, com elementos de Shoegaze guiando a música até a entrada de uma guitarra digna de Thrash Metal.
É com essa mistura de timbres e texturas que os Turnstile conseguiram destacar-se como algo diferente, e a banda acerta em cheio ao não tentar reinventar a roda mais uma vez, mas também se permitir experimentar com uma identidade cada vez mais múltipla.

7. Lily Allen – West End Girl
Para fãs de: Marina, Kate Nash, Robyn
Não há como fugir: o grande apelo de West End Girl é sua aposta em uma sinceridade vulnerável e afiada, já que aqui Lily Allen fala de maneira direta e sem rodeios sobre o conturbado divórcio com o ator David Harbour, narrando traições, polêmicas e confusões da maneira mais cru e vívida possível.
No entanto, é claro que nada disso funcionaria tão bem se a parte musical não fosse tão fascinante. Usando várias facetas do Pop como instrumento para suas crónicas, Lily aposta em melodias claras, arranjos que deixam a letra respirar – um segredo que muitas vezes parece perdido na indústria – e até algumas ousadias mais experimentais para destacar a teatralidade da obra, como na aclamada “Madeline”.

6. Oklou – choke enough
Para fãs de: Caroline Polachek, FKA twigs, A. G. Cook
choke enough é um disco inescapável e hipnotizante. Aqui, Oklou aposta em elementos do Hyperpop com uma nova e talvez até revolucionária abordagem – a estética exagerada do género é substituída por uma pegada intimista e delicada, ao mesmo tempo polida e frágil.
“family and friends”, por exemplo, soa como uma versão moderna de Enya se a cantora irlandesa tivesse passado um tempo ouvindo Caroline Polachek e FKA twigs (esta última, aliás, presente como feat em choke enough). Por outro lado, “harvest sky” resgata um aspecto meio Summer Eletrohits, meio “madrugada acordada” – pensamentos circulando, memória falhando, vontade de sentir algo que faça sentido – e é exatamente essa dualidade tão cheia de contraste que destaca o álbum da francesa.
Em vez de explodir, choke enough é um disco que constantemente comprime, e assim cria-se um universo etéreo que trabalha emoção sem dramatização óbvia, com músicas que se conectam e convidam o ouvinte para um mergulho em uma das produções mais cuidadosas dos últimos anos.

5. Clipse – Let God Sort Em Out
Para fãs de: Freddie Gibbs, Kendrick Lamar, Run the Jewels
De volta com um disco de inéditos após 26 anos, o Clipse é dono do Melhor Disco de Rap de 2025 sem dúvida alguma. Let God Sort Em Out tem feats de respeito, como Kendrick Lamar em “Chains & Whips”, mas definitivamente não se apoia exclusivamente nisso para criar um trabalho coeso.
A impressão é constantemente de estar ouvindo dois veteranos que não precisam correr atrás das tendências. Pusha T e (No) Malice não estão necessariamente atrás de coisas grandiosas, investindo num clima de rua e tensão moral que evoca uma nostalgia que só os verdadeiros mestres do género são capazes de ter.
Mesmo quando o álbum flerta com refrões mais marcantes, ele continua sendo áspero, mostrando entender que o presente é a continuação de uma história que começou lá atrás. E é exatamente isso que torna Let God Sort Em Out tão especial.

4. Ichiko Aoba – Luminescent Creatures
Para fãs de: Joanna Newsom, Ryuichi Sakamoto, Grouper
Ichiko Aoba é uma artista que, há tempos, domina a arte de fazer o silêncio falar. Luminescent Creatures aprofunda essa magia, chegando como um ecossistema delicado em que cada detalhe cumpre seu papel de maneira irretocável.
Voz, guitarra, piano e outros elementos que aparecem de maneira mais subtíl somam-se para criar um álbum que funciona como pequenas lanternas acesas num quarto escuro, iluminando cada canto e obrigando o ouvinte a olhar para lugares que, no dia a dia, podem passar despercebidos.
Luminescent Creatures aposta forte no minimalismo, e a influência de Ryuichi Sakamoto é maior do que nunca – quase como uma homenagem a um dos maiores nomes da história da música japonesa. Faixas como “FLAG” e “COLORATURA” são algumas das mais bonitas que você vai ouvir neste ano – e além dele, certamente.

3. Deftones – private music
Para fãs de: Mastodon, The Smashing Pumpkins, Hum
Os Deftones sempre foram mestres em fazer o peso soar sensual, e private music é mais uma prova de que a banda entende o “clima” como instrumento principal.
Aqui, os Deftones reverenciam seus próprios discos, mas não se limitam a eles. Enquanto o antecessor Ohms parecia mostrar uma banda que começava a trabalhar a ideia de uma nova geração consumindo sua música, private music é um atestado de que eles entenderam que o motivo para esse sucesso recente não é o passado, e sim a essência da banda. Dessa forma, surgem clássicos instantâneos como “milk of the madonna” e “cut hands”, faixas que entram imediatamente no rol de melhores músicas da carreira da banda.
Um dos aspectos mais intrigantes, no entanto, é como o álbum vai crescendo a cada audição – ele pode parecer simples inicialmente, mas o ouvinte que aceitar se aprofundar vai ver um trabalho cheio de nuances e detalhes, e este sim é o verdadeiro segredo do sucesso dessa banda com tantas gerações diferentes.
private music é um atestado de que os Deftones estão melhores que nunca na sua própria linguagem, trazendo romantismo sombrio, beleza áspera e uma confiança de quem sabe que o silêncio pode ser tão pesado quanto um riff pungente.

2. Deafheaven – Lonely People with Power
Para fãs de: Alcest, Wolves in the Throne Room, Godspeed You! Black Emperor
Os Deafheaven voltarm a soar grandiosos sem soar disperso. Depois de explorar algumas direções diferentes nos seus últimos trabalhos, o grupo volta a acertar em cheio com Lonely People with Power, um disco tão épico quanto delicado, tão pesado quanto fino em seus arranjos.
O disco é uma colisão de catarse extrema com beleza ensolarada, enriquecida (e muito) por excelentes clipes que transformam completamente a experiência do álbum. As guitarras abrem paisagens, a bateria acelera a adrenalina e cria um senso de urgência, e os vocais voltam a encontrar a receita para não soar apenas agressivos, mas sim como um resultado de verdades rasgadas às suas formas mais nuas.
A dinâmica de Lonely People with Power é a mais refinada da carreira do Deafheaven, e uma verdadeira aula para qualquer músico que busque explorar isso nos seus trabalhos. Em “Winona”, por exemplo, o baixo aparece na hora certa para criar uma textura complexa, que revela mais uma vez a influência do Shoegaze no trabalho da banda; assim, eles estouram e suspendem com maestria, mais do que nunca.
Em vez de apostar só em muralhas de som, os Deafheaven investem de forma certeira em detalhes que deixam a emoção mais nítida. Pequenas variações de timbre, viradas que parecem responder ao que foi cantado e um encaixe perfeito entre fúria, melancolia e esperança: Lonely People with Power é um disco no qual a beleza não alivia a dor, mas a destaca.

1. Hayley Williams – Ego Death at a Bachelorette Party
Para fãs de: Mitski, Phoebe Bridgers, Paramore
No seu terceiro disco, Hayley Williams consolidou-se como uma artista solo e mostrou que tem talento de sobra para seguir no formato o quanto quiser.
Se os dois primeiros álbuns tinham toda a cara do projeto paralelo, Ego Death at a Bachelorette Party não apenas mostra uma artista madura como também conta com elementos essenciais para todo disco que faz história, apresentando melodias pegajosas, refrões grudentos e letras corajosas.
Desde atacar “cantores racistas do country” até expor comportamentos questionáveis de ex-companheiros, a vocalista dos Paramore finca o pé num território disputadíssimo e mostra que tem todas as credenciais para seguir esse formato se assim o quiser.
Musicalmente, o álbum bebe nas fontes do rock alternativo dos Anos 80 e 90, misturando elementos de influências contemporâneas que vão de Phoebe Bridgers a CMAT, e traços muito particulares de Hayley.